sábado, 14 de dezembro de 2013

1808, Sátira ou verdade?

Uma inquirição à obra de Laurentino Gomes

Em idos de 2012, quando já estava lá pela terceira passada nos capítulos de que mais gostei do livro 1808, ocorreu-me um estálo daqueles que te atormentam e não te deixam em paz: "O que nossos patrícios lusitanos teriam pensado da obra?".

A pergunta me estalou a cabeça pois a esta altura eu já havia inclusive colhido negativas calorosas dos herdeiros da família real brasileira. Sentiram-se profundamente ofendidos com os traços descritivos de nosso primeiro rei, D.João VI, na interpretação do reporter escritor. E Verifiquei isso dando uma breve espiada no site do movimento da causa monarquica brasileira (http://www.monarquia.org.br/ ). O site possui boa organização e também um breve histórico da genealogia da família real, que mantem seus costumes e títulos até os dias de hoje...

Enfim... Infelizmente, o buscador Google Brasil não estava oferecendo resultados satisfatórios, e outro estalo no cérebro me guiou ao Google Portugal. Ah, Desta vez, ficou facil! Bastou digitar 1808 para que o navegador ululasse de link's para páginas e blogs que teciam os mais amargos comentários sobre o que seria "uma péssima obra de Laurentino", na definição dos portuguêses.

Em meio à uma chuva de máximas exaltadas, pincei uma que mais me chamou a atenção. Era o blog da também jornalista Isabel Ferreira, segue o link (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt).

De personalidade firme e muito aflorada, Isabel defendia o que, em seu entendimento seria o "orgulho português". Todavia, como boa e nobre europeia, seu grito de defesa era feito com toda a civilidade e sutileza que somente um europeu poderia. Sem tolher a ética, fez uso da mesma ferramenta que Laurentino Gomes, o livro. Publicou então sua obra: A Contestação do livro 1808. (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/12716.html).

Não tive acesso ao livro pois fora feito apenas uma, e já esgotada tiragem somente em Portugal. Como não haviam mais cópias disponíveis, resolvi então cutucar a autora que havia me deixado com uma pulga atrás da orelha. Teria laurentino se baseado em fontes fidedignas? Será que estou atribuíndo crédito histórico à uma obra de ficção bem humorada e satírica do período "Brasil Colônia"? Quais seriam os argumentos de Isabel?

Na próxima parte, vou lhes contar como foi este contato com a autora e tentar resumir um extenso debate que teve um final muito curioso.


Até lá...

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