domingo, 22 de dezembro de 2013

1808, Sátira ou verdade? (parte 2)

Uma inquirição à obra de Laurentino Gomes

Conforme prometido no artigo anterior, vou começar a expor os argumentos da distinta europeia que contesta a obra de Laurentino, 1808. Mas antes, gostaria de fazer uma breve explanação sobre algumas páginas que podem elucidar melhor o leitor e até mesmo interagir melhor com aqueles que, como eu, gostam muito de história do Brasil. São páginas de movimentos monarquistas mantidos por membros da família Real Brasileira que defendem a ideia de que nosso país estaria em melhores mãos caso ainda fossemos, ou retornarmos ao regime monárquico.

Os argumentos dos monarquistas são fortes e apenas para citar dois, Don Pedro II deixou o país com as contas em dia e umas das maiores e melhores marinhas de guerra do mundo. Pode parecer pouco para os dias de hoje, mas numa época em que ainda não se tinha o avião, a marinha de um país era, sem dúvida o reflexo de seu poderio militar.

A página do Facebook pode ser acessada através do link ( ... )

Muito bem, vamos então ao que prometi... Ao dar uma espiada pelo blog da autora lusitana vê-se claramente um tom de revolta em suas colocações. E como sou extremamente avesso à expressões revoltoso-extremista movidos por qualquer dos sentimentos de orgulho ou vaidade, comecei a questionar a autora a respeito de suas fontes. Afinal, movimentos gerados por acessos de cólera são quase todos sem argumento sólido. E geralmente criados por idealistas sem muito crédito. Ela então me enviou um arquivo com todas as suas principais fontes bibliográficas. Toda composta por livros escritos por historiadores portugueses e alguns brasileiros.

Muito embora sejam fontes fidedignas, hoje sabemos que a história tem sido florida ao longo dos últimos anos, numa desesperada tentativa de se criar heróis e vilões. Onde, nos dias de hoje, nós já sabemos, não cabe mais!

Algumas das principais fontes da autora seguem no quadro abaixo:

Damião Peres (professor da Universidade de Coimbra, Portugal);
Ângelo Ribeiro (Professor da Universidade do Porto, Portugal);
Jaime Cortesão (historiador português);
Graça Aranha (escritor e diplomata brasileiro);

Mesmo tendo fornecido fontes, não havia até o momento quaisquer citação ou mesmo trechos que poderiam invalidar a obra de Laurentino. Isto me deixou um pouco surpreso no início. Foi então que me explicara sobre a contextualização e validação de fontes com o uso da "técnica de metodologia histórica", que segundo ela seria fundamental para invalidar certas fontes que formam o pilar da obra de laurentino.

No próximo artigo vou explicar melhor as idéias da autora sobre a validação de fontes. Mais adiante farei uso de fontes históricas que eu mesmo pesquisei para contrabalancear o debate e torná-lo mais interessante...


Até lá...  

sábado, 14 de dezembro de 2013

1808, Sátira ou verdade?

Uma inquirição à obra de Laurentino Gomes

Em idos de 2012, quando já estava lá pela terceira passada nos capítulos de que mais gostei do livro 1808, ocorreu-me um estálo daqueles que te atormentam e não te deixam em paz: "O que nossos patrícios lusitanos teriam pensado da obra?".

A pergunta me estalou a cabeça pois a esta altura eu já havia inclusive colhido negativas calorosas dos herdeiros da família real brasileira. Sentiram-se profundamente ofendidos com os traços descritivos de nosso primeiro rei, D.João VI, na interpretação do reporter escritor. E Verifiquei isso dando uma breve espiada no site do movimento da causa monarquica brasileira (http://www.monarquia.org.br/ ). O site possui boa organização e também um breve histórico da genealogia da família real, que mantem seus costumes e títulos até os dias de hoje...

Enfim... Infelizmente, o buscador Google Brasil não estava oferecendo resultados satisfatórios, e outro estalo no cérebro me guiou ao Google Portugal. Ah, Desta vez, ficou facil! Bastou digitar 1808 para que o navegador ululasse de link's para páginas e blogs que teciam os mais amargos comentários sobre o que seria "uma péssima obra de Laurentino", na definição dos portuguêses.

Em meio à uma chuva de máximas exaltadas, pincei uma que mais me chamou a atenção. Era o blog da também jornalista Isabel Ferreira, segue o link (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt).

De personalidade firme e muito aflorada, Isabel defendia o que, em seu entendimento seria o "orgulho português". Todavia, como boa e nobre europeia, seu grito de defesa era feito com toda a civilidade e sutileza que somente um europeu poderia. Sem tolher a ética, fez uso da mesma ferramenta que Laurentino Gomes, o livro. Publicou então sua obra: A Contestação do livro 1808. (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/12716.html).

Não tive acesso ao livro pois fora feito apenas uma, e já esgotada tiragem somente em Portugal. Como não haviam mais cópias disponíveis, resolvi então cutucar a autora que havia me deixado com uma pulga atrás da orelha. Teria laurentino se baseado em fontes fidedignas? Será que estou atribuíndo crédito histórico à uma obra de ficção bem humorada e satírica do período "Brasil Colônia"? Quais seriam os argumentos de Isabel?

Na próxima parte, vou lhes contar como foi este contato com a autora e tentar resumir um extenso debate que teve um final muito curioso.


Até lá...