(Em construção...)
Você acha que é livre? Acha que é dono de suas vontades? Quando me fiz estas perguntas, sinceramente, não soube responder. Nós enquanto seres humanos, crianças buscando ser integrados a uma sociedade, somos abastecidos de uma carga de dados até mesmo depois da fase adulta. Estes são processados por nosso cérebro e uma vez compilados produzem informação, que é o pilar do gostar, do querer, da vontade e do desejo. E um desejo é diretamente ligado a outro ou mesmo um desejo pode criar certas necessidades que produzem outros desejos e assim por diante.
O desejo de se locomover com considerável facilidade pode levar alguém a compilar ideias que o remetam à compra de um carro. Estar de posse de um automóvel irá certamente criar uma série de outros desejos, tanto no aspecto de equipá-lo quanto no de locomoção para lugares turísticos. São tantos outros desejos associados a este ultimo que poderiam popular uma lista infinita, se considerarmos todas as possibilidades inerentes.
Me parece que até mesmo a personalidade é construída pela compilação de dados, conquanto – creio eu – mais pelos intrauterinos (ver Thomas Verny, 1993). Estes Talvez até mais influentes ou mesmo determinantes.
A vontade é produto de registros subconscientes que se inter-relacionam (ou se compilam) produzindo um desejo primário. Este é interpretado e armazenado como sendo uma meta a ser atingida, e o servomecanismo irá trabalhar para alcançá-la.
Então, o indivíduo será conduzido mecanicamente a seguir a rota traçada em direção ao desejo registrado no plano irracional. O mecanismo cibernético irracional não avalia nem julga o desejo, apenas cumpre a ordem.
O caminho a ser percorrido na direção de se obter o desejo poderá produzir mais conhecimentos ou mais registros subconscientes referentes ao desejo. Isto resulta num ciclo de aperfeiçoamento e, consequentemente no ajuste da rota a ser traçada. Desta forma, se chegará a uma definição melhor do que realmente se quer, ou mesmo pode-se concluir o desejo primário não se tratava de algo que realmente se queria, ou ainda, que não mais se queira na fase atual da vida. Em certos casos o desejo final pode assumir uma definição totalmente diferente do desejo primário, dado o grande numero de ajustes feitos ao longo do caminho.
É como se você partisse de Curitiba com objetivo de ir a Salvador. Durante essa viagem, as informações obtidas a respeito da cidade destino, associado ao que se espera, o levasse fazer pequenos mas constantes ajustes na rota. E ao final da viagem você se descobre chegando a Brasília, pois era afinal, o que você realmente queria, ou o que está mais ajustado à suas metas. Podemos então dizer que no início, seu desejo primário era ir à Salvador, conquanto, ao final descobre que Brasília era mais adequado aos seus anseios.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Aquilo que não é fundamental...
"Há uma velha história sobre como os caçadores capturavam macacos na África. Eles esvaziavam um coco, deixando um buraco pouco menor do que a mão do animal, colocam dentro um pedaço de laranja ou banana e o amarravam a uma árvore. O cheiro atrai o macaco, que enfia a mão no coco e então percebe que o buraco não é grande o suficiente para que ele retire a mão e o pedaço de fruta. Para tirar a mão, ele precisa abrir o punho e soltar o que está segurando. Só que ele não solta. Fica tão obcecado em conseguir pegar o alimento que nem sequer larga o coco para fugir do caçador, que o captura facilmente."Já viu isso antes?
Este estratagema pode servir para retirar vários ensinamentos no aspecto psíquico humano.
Assim como o macaco, muitos de nós somos prisioneiros de aspectos não fundamentais. As vezes ficamos insatisfeitos numa atividade profissional por conta desta ter boa localização ou estar em ambiente familiar. Outras vezes nos vemos insatisfeitos com o relacionamento amoroso, mas o suportamos simplesmente por manter uma boa convivência com a família do(a) companheiro(a) ou por já estar há muito tempo juntos.
O macaco valorizou e ficou preso a algo insignificante, por isso levou a pior. O símio poderia ter obtido alimento de muitas outras formas e das mais variadas maneiras, em uma imensa gama de situações e possibilidades, mas preferiu fica preso ao fútil.
De que vale levar uma vida profissional indesejável, muitas vezes seguindo uma carreira que não reflete seus sonhos por conta de estar preso a um aspecto salarial ou relacional? De que vale estar insatisfeito numa relação de brigas e com total falta de companheirismo simplesmente por ter um bom relacionamento com os sogros e cunhados? Ou mesmo pelo comodismo de se morar perto?
Será que não está na hora de abrir e avaliar sua vida para começar a largar o coco e “salvar a vida”? Salvar entre aspas pois de nada vale chegar ao fim desta e concluir que foi infeliz... Olhar para traz e ver que poderia ter sido diferente dói muito!
Essa semana um colega de trabalho resolveu fazer isso. Largou a atividade na industria e foi se dedicar a seu sonho: Ser professor de história. Tenho certeza de que, apesar de já passar dos quarenta, ainda não é tarde...
O macaco valorizou e ficou preso a algo insignificante, por isso levou a pior. O símio poderia ter obtido alimento de muitas outras formas e das mais variadas maneiras, em uma imensa gama de situações e possibilidades, mas preferiu fica preso ao fútil.
De que vale levar uma vida profissional indesejável, muitas vezes seguindo uma carreira que não reflete seus sonhos por conta de estar preso a um aspecto salarial ou relacional? De que vale estar insatisfeito numa relação de brigas e com total falta de companheirismo simplesmente por ter um bom relacionamento com os sogros e cunhados? Ou mesmo pelo comodismo de se morar perto?
Será que não está na hora de abrir e avaliar sua vida para começar a largar o coco e “salvar a vida”? Salvar entre aspas pois de nada vale chegar ao fim desta e concluir que foi infeliz... Olhar para traz e ver que poderia ter sido diferente dói muito!
Essa semana um colega de trabalho resolveu fazer isso. Largou a atividade na industria e foi se dedicar a seu sonho: Ser professor de história. Tenho certeza de que, apesar de já passar dos quarenta, ainda não é tarde...
Insatisfação
(ainda em construção)
Quase
sempre que vejo um casal de amigos, – jovens namorados ou
mesmo casados – me pego fitando a face da moça em busca de
alguns sinais. Um olhar pode oferecer mais informações do que uma
conversa. Tenho me exercitado bastante nisso e confesso que tenho
obtido considerável sucesso nesta atividade.
O
fato é que tenho observado uma característica muito marcante na
maioria delas. Um semblante do qual não conseguia definir. E nestes
últimos dias, conversando de forma mais íntima com uma delas obtive
a resposta. O olhar se resume a uma palavra: insatisfação.
É
como se, embora ela tivesse conseguido um relacionamento, este não
fosse exatamente o que esperava. O Homem não é adequado. Faltam
alguns detalhes que fazem muita diferença no comportamento dele.
Algumas arestas a serem aparadas sem as quais, ele não pode ser
considerado “homem” por vias de fato!
Indo
mais além nesta busca, começo a descobrir os detalhes. As peças
vão se encaixando e vou dando forma ao mosaico desta curiosa
frustração. Percebo que ela sente falta de mais devoção, mais
doação e menos individualização. O namorado tem dinheiro para
comprar jogos de videogame, sair com os amigos para farrear, fazer
melhorias no veículo, jogar futebol... entre outras coisas mais.
Conquanto, ele nega recursos para compartilhar momentos e afins com a
mulher. Seus limitados recursos são canalizados para atender a
necessidades supérfluas de consumo e lazer totalmente individuais.
Sendo assim, ele nunca terá dinheiro para um jantar especial com a
companheira num bom restaurante. Uma viagem para curtir um fim de
semana agradável num lugar diferente está, igualmente, fora de
questão! Ao que parece, o real interesse dele é pura e simplesmente
sexual.
Nestes
casos, a individualidade extremada beira ao egoísmo. Aparentemente
ele não está muito focado em compartilhar momentos agradáveis que
renovam os votos da proposta de relacionamento. A relação vai
ficando desgastada e os desentendimentos vão se tornando cada vez
menos espaçados.
A
balança começa a pesar mais para o lado das brigas. Esta ultima,
produto da disputa de egos, é iniciada geralmente pela mulher.
Afinal ela é a figura que geralmente se submete aos caprichos
do marido. Essa doação, por parte da mulher, consome e degrada seu
intimo. Se lhe falta amor próprio, se tem medo de ficar sozinha;
segue insatisfeita uma vida inteira...
Assinar:
Postagens (Atom)