“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”- Anaxágoras de Clazômenas (428 A.C.)Entretanto, se uma gota de água afirmasse que possui uma qualidade aquosa que sobrevive à sua transformação, você se mostraria incrédulo a tal disparate. E só porque a gota crê, não significa que exista uma forma espiritual abstrata e eterna de sua composição inicial (H2O). De forma semelhante, o cérebro é um agregado de elementos que também sofre o mesmo tipo de transformação quando morre.
Sabemos que nosso pensamento, por si, é promovido através de reações químicas. Sabemos também que a deficiência de quaisquer dos elementos essenciais ao raciocínio é danoso ao pensamento e à plena consciência. Logo, a energia organizada de um ser vivo é dissipada ou desmobilizada quando ocorre a transformação (morte).
Toda a nossa vida mental, ou o nosso ego, é promovido pela estrutura cerebral, e a energia promovida é manipulada por este. Por conseguinte, é racional supor-se que a vida mental cesse, ao cessar a vida do corpo. O argumento baseia-se apenas em probabilidade, mas é tão convincente como aqueles em que se baseiam quase todas as conclusões científicas. Além disso, a resposta para a questão da vida que supostamente transcende o corpo não será respondida pela literatura, pela história e nem mesmo pelos ditos filósofos ou salvadores. A vida é um processo que está se renovando e melhorando a cada dia. O psicologo Carl Rogers definiu assim:
“A vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixado.”- Carl Rogers, 1952.Nós não somos seres eternos porque a criação nunca cessa e está em constante evolução. Encarar a vida como um processo é muito mais produtivo e enriquecedor. De fato, a “verdade absoluta” sobre a vida, proposta pela religião, é muito mais confortável. Todavia, promove toda uma complexa explicação teórica sobre como se dará o seu seguimento espiritual e seu encontro com o criador. Nunca passou pela mente desses medrosos e iludidos religiosos que este processo (a vida) possa ser mais simples do que lhes parece.
“É evidente, como questão de lógica, que, já que as religiões diferem entre si, apenas uma delas pode ser verdadeira. Com pouquíssimas exceções, a religião que um homem aceita é aquela da comunidade em que vive, o que torna óbvio que a influência do meio foi o que o levou a aceitar a referida religião” - Bertrand Russell, 1930Se começar a olhar para dentro de si e observar a vida à sua volta, verá que todas as verdades teológicas a que nos apegamos ou herdamos são conflitantes com o meio e acabam por promover o ódio, a guerra, a competição e todo o tipo de situação indesejável. A observação do meio nos faz ver a maravilha da natureza e a batalha pela sobrevivência. Enquanto todos os animais encaram este fato de frente, nós, seres pensantes, temos medo. Todas as teorias religiosas são, na verdade, produto do medo. Elas promovem uma fuga simples e imaginária obstante à realidade. Induz as pessoas a buscar uma realidade prometida por outrem. O medo e a ignorância move multidões submissas que se dispõe a seguir qualquer um que possa garantir uma vida espiritual virtuosa.
A religião, no entanto, tem feito o seu papel na sociedade promovendo um conforto psíquico à grande massa ignorante. Um buraco na qual se pode enfiar a cabeça e sentir-se menos presente à inegável realidade. Oferece uma "verdade absoluta" sobre a vida e a morte, uma crença pouco racional e depressiva. Não há dúvida de que as pessoas continuarão a alimentar tais crenças, pois que estas são mais agradáveis.
É pois, totalmente desnecessário discutir a vida após a transformação do corpo (a morte), e penso que não deveríamos nos torturar com isso. Vejo pessoas que passam a vida inteira analisando suas atitudes em função do pecado, da culpa e da prestação de contas em que acredita e lhe será aplicada. Viver de forma mais leve é uma faculdade que poucos tem.