sábado, 10 de novembro de 2012

O Relacionamento Humano e a Família

É recorrente a afirmação de que o "Homem não é uma ilha". Vale dizer, não vivemos isolados, sós. Vivemos com os outros seres humanos. Convivemos! É profundo o desejo de todos que a convivência seja harmônica. Porém, estamos longe do almejado ideal. Não são poucas as pessoas que embora convivam socialmente, sentem-se sós, abandonadas, cercados por todos os lados de medos e inseguranças, "uma verdadeira ilha de incertezas". Assistimos flagrantes no cotidiano, do ser humano às voltas com danosos conflitos com ele mesmo, com seus semelhantes e com o Criador. Lógico que os conflitos têm a ver com imagens negativas dele mesmo, como pessoa, registradas no subconsciente, gerando uma baixa autoestima. Com isso, o relacionamento com os demais, será marcado pela incompreensão.

Uma visão fragmentada, imediatista e consequentemente superficial da vida leva o ser humano a culpar e a culpar-se, ao invés de buscar soluções, gerando ansiedade, medo do que possa acontecer. O orgulho e a vaidade também agem sobre nós como um limitador, que tampa e ofusca a visão. Estes sentimentos podem levar à estagnação evolutiva fazendo com que, ao longo da vida, a pessoa venha a se sentir excluída da sociedade que está em constante evolução. É Muito fácil encontrar pessoas com idade avançada retrucando sobre as mudanças da sociedade e lutando contra a evolução desta. Geralmente começam por reclamar com clássica sentença: “No meu tempo as coisas funcionavam assim...”. Esqueceu-se pois, que os tempos são outros e que é necessário caminhar junto, compreendendo como o mundo funciona hoje e não ficar vivendo o que já se foi.

Muitas família tem péssimos relacionamentos devido a fato de que os filhos, já adaptados aos novos moldes da sociedade, não compreendem a postura antiquada e estagnada dos pais, que se recusam a evoluir e caminhar junto com a sociedade em construção. Os pais ainda vivem na década em que se formaram como cidadãos e se recusam a compreender os novos estilos de roupas, cortes de cabelo, marcas e produtos. Geralmente não conseguem utilizar novos aparelhos e acham ridículos ou mesmo estranho as modas e estilos dos dias de hoje, que são largamente utilizados por seus filhos. Preferem marcas consagradas, mesmo que caras e pouco funcionais ao novo produto que está no mercado oferecendo mais por menos ou pelo mesmo preço. Pode-se notar, por exemplo, que dificilmente verá um homem da década de 80 dirigindo um veículo importado ou com novos recursos, irá preferir um que já conheça (marca/modelo), que custa mais caro e que não oferece muito, pois era o que havia no seu tempo! Afinal, ele mesmo parou no tempo e ainda vive nos anos 80! Os pais lamentam a postura estranha dos filhos e, em contra partida, os filhos lamentam o fato de que os pais estão parados no tempo, fechados para o mundo de hoje. A experiência de vida que os pais acumulam já não é mais útil nos dias atuais, pois as regras do jogo já são outras, são como livros velhos de ciências que já não servem mais para nada. Entretanto, são acometidos de grande vaidade que lhes fazem crer na tola ideia de que sabem mais ou tem mais vivência de mundo que seus filhos. Não são raros casos de pais que tentam ensinar aos filhos sobre sexualidade enquanto estes já tem, aos 13 ou 14 anos, uma vida sexual ativa. O convívio social dos jovens de hoje lhes permitem ter amigos virtuais em várias partes do mundo. A troca rápida de informação os fazem quebrar barreiras que seus pais jamais o teriam feito. Enquanto os filhos estão em outra cidade, conhecendo outras pessoas, fazendo e se permitindo ser melhor; os pais estão em casa, vendo a novela das oito, pois era o que se fazia no seu tempo. Eles estão surdos, cegos e fechados dentro de um mundo que não existe mais!

Somente o entendimento restabelecerá a harmonia na convivência através do diálogo e de uma autêntica mudança de mentalidade. Buscar o autoconhecimento e tornar-nos autoconscientes, ou seja, capazes de identificar os próprios sentimentos e emoções como reações automáticas do subconsciente, cujos registros nele contidos, que remontam o período de gestação, qualificam positiva ou negativamente as relações humanas. E aqui é imprescindível dar destaque à forma de comunicação, aliás, muito pouco mencionada quando se fala de relação interpessoal, que é a Percepção Extra-Sensorial, notadamente a telepatia e a intuição.

O nosso interior, no subconsciente "Se expressa fora o que está no seu interior". Havendo imagens positivas de si mesmo e também dos outros registrados no nosso subconsciente, a probabilidade é muito grande de o relacionamento ser harmônico. Quando nossas atitudes, gestos e palavras estão em sintonia, manifestação de um uníssono, então somos autênticos, dando beleza às relações humanas, evoluindo e crescendo.

Dependência e Felicidade

Nós, seres humanos, somos sistemas individuais e únicos. Temos por tanto que ser relativamente "autossuficientes" nos aspectos sociais, químicos e materiais. Logo, não se pode nunca limitar ou determinar sua vida em função da vida de outra pessoa ou de coisa alguma. Muitas pessoas se julgam felizes por terem um relacionamento feliz ou em função da posse de um bem material (carro, casa, etc.) e se consomem na depressão quando este lhe falta. Temos que entender que existem dois moldes conceituais de formulação para este caso, sendo:

1.       “Sou feliz porque tenho um(a) [relacionamento,casa, posição social, etc.]”
2.       “Sou feliz e tenho um(a) [relacionamento,casa, posição social, etc.]”

Observe que o molde conceitual número 1 não é desejado, afinal, não podemos associar nossa felicidade à posse ou à presença de algo ou alguém. A verdadeira felicidade não está no êxtase, mas sim na plena consciência de estar vivo e se considerar um ser maravilhoso. Bertrand Russell, afirmou que são felizes as pessoas que passam a maior parte de seu tempo sentindo-se bem pelo simples fato de estarem vivas.


Se sua vida é "dependente", então há algo indesejado nas suas conexões cerebrais. Temos que ser felizes e estar bem em nosso intimo apenas pelo fato de estarmos vivos, livres e em contato com o meio. Podemos então concluir que, qualquer dependência é ruim. Estas dependências podem ser:

Química        (drogas alucinógenas, guloseimas ou alimentos dispensáveis);
Social            (dependência de ter namorado(a), amigo, mãe, pai, posição social);
Material       (dependência da posse de bens materiais como aparelhos, bens e serviços);
Intelectual    (prisão ideológica, Fanatismo religioso, ideias prontas);

Conceitualmente, uma pessoa que está em depressão pela perda dos pais, do namorado(a) ou mesmo de um carro ou posição social, é um viciado. E pode ser Igual ou pior do que um usuário de craque ou cocaína. É necessário entender que tudo e qualquer coisa pode causar algum tipo de alucinação ou ilusão de bem estar e, por tanto, pode ser classificado como sendo “uma droga”. O usuário de craque se sente bem mediante a administração da psicotrópico, assim como o ser apaixonado se sente bem mediante a presença do ser amado (ou relacionamento).

As drogas, de maneira geral,  estimulam o organismo a produzir neurotransmissores que causam sensação de bem estar e tranquilidade enquanto a vítima está sob seu efeito. Logo, o conceito de “droga” é muito amplo e ao mesmo tempo individual, pois um prato de guloseimas pode, por exemplo, ser a perdição para alguns, enquanto que para outros não significar nada. Um papelote de cocaína pode atrair a atenção de um dependente químico, mas nunca a terá de um consumista compulsivo ou mesmo de um carente afetivo, pois estes tem seu foco e dependências associados a outros fatores. Se “a droga” for a dependência da presença dos amigos ou de um relacionamento, então esta deve ser compreendida e eliminada. Afinal, esta sensação não é real e não é benéfico pois determina a felicidade e liberdade à dependência de fatores externos. Não se pode ser feliz em função de ter algo ou alguém, mas podemos agregar coisas ou pessoas que podem tornar nossas vidas mais interessantes, somando conhecimento e experiências.

Um outro perfil comum é o indivíduo que tem uma auto-imagem ruim e se entrega a um desejo com a finalidade de se ter alguns breves minutos de prazer. Na verdade, o faz para esquecer, para escapar da sua triste e melancólica realidade. Enfia-se a cabeça num buraco na frustrada tentativa de esquecer que é feio, desagradável e ignorante. De fato, se este personagem estabeleceu esta ideia sobre si, então é o que ele é! Estas formas de escape podem ser sublimadas por um ajuste no mecanismo que promove a auto-estima da pessoa. Mas isto é algo que somente o próprio indivíduo pode fazer buscando o autoconhecimento. Adentrando no subconsciente e investigando seus motivos irracionais que o levam a pensar mau a respeito de si mesmo.

O nosso subconsciente, está, muitas vezes programado para provocar sensações ruins diante de situações cotidianas normais. todavia podemos extinguir estas situações condicionadas e eliminar tais dependências aplicando-se a razão. Quando se verificar sentindo-se mal por coisa torpe, assuma a consciência e busque as razões da sensação. Convença-se de que não há razão lógica para sentir-se mal pela falta de alguém ou de algo. Encare de frente o irracional e diga a si mesmo que sua vida não depende "dessas drogas". Busque explicações e razões plausíveis para todos os seus sentimentos. Aos que não lhe couber uma resposta racional, aplique-lhes uma razão consciente e forte. Repita isto sempre que o sentimento indesejado aparecer até que cesse. O escritor Maltz confirma esta premissa:


"Aplicar a razão é um pensamento-chave que devemos ter diante destes estímulos perturbadores no processo de extirpar um condicionamento." (Maltz, 1981, p. 151)
Na concepção de Russell, aplicar a razão também é uma das melhores soluções:
"Quando começar a sentir remorso por ato que sua razão lhe garante não ser mau, examine as causas desta sensação e convença-se de que é um absurdo." (Russell, 1930, p. 88)

Seguindo pelo molde conceitual número 2, pode-se dizer que, se tens esta compreensão terás uma vida plena e totalmente liberta. Sente-se livre e feliz consigo mesmo pois sua felicidade não está atrelada a outras coisas. O ser amado lhe soma, mas nunca lhe falta. Por quanto, se não possui qualquer dependência química, social ou material, considere-se uma pessoa liberta e feliz.

O estudo da mente e as impressões do subconsciente podem, no entanto, revelar muitos fatores que resultam em comportamentos indesejados, tais quais os citados neste artigo. Haja visto que, não existe certo e errado, mas sim o que queremos e o que não queremos. O estudo da mente pode fazer com que estes moldes conceituais sejam compreendidos através da razão, causando leveza e sensação de liberdade e plenitude no depressivo. Breve, trataremos do estudo do autoconhecimento, que pode tornar esses conceitos uma realidade em nossas vidas.

"Conhece-te a Ti Mesmo"

Muitas pessoas entram em processo terapêutico em busca da solução de seus problemas. No entanto, em sua maioria desistem quando diante do desconhecido, negam-se a continuar investigando as causas e os motivos. O autoconhecimento demanda, acima de tudo, coragem e vontade pois significa abrir algumas portas de nossa mente para encontrar outras conexões (caminhos) que irão oferecer novas rotas para enfim libertar-nos de nossos medos e angustias. Abrir algumas dessas portas pode causar desconforto, e por tanto, há uma tendencia natural em evitar olhar o que está lá dentro. Nem todos estão abertos à críticas de seus defeitos, principalmente se estas refletem uma realidade feia. Alguns se arrepiam diante delas e preferem fugir.
O fato é que quanto menos se conhece, mais medo conferimos e nos sentimos frágeis diante de certas situações, preferindo a fuga. Haja visto que o medo concentra grande quantidade de energia, tal qual a coragem, temos por tanto, tendencia em atrair e materializar mais situações similares à aquelas das quais tememos e queremos evitar. A sombra está lá, queiramos ou não lidar com ela. Num primeiro momento pode ter havido situações em que essa investida tenha deixado mais prejuízos do que realmente tenha ajudado; ou ainda que tenham sido abertas precocemente ou inoportunamente. Mas chega um determinado momento dessa exploração em que o indivíduo parece despertar. Com as portas abertas, o subconsciente consegue iluminar os pontos de sombra e visualizar novas conexões cerebrais, novas rotas são criadas e percebe-se que existe um caminho novo e mais fácil; que não gera desconforto.
A obscuridade conduz para reações repetitivas, nos faz refém delas e leva à autodestruição. A clareza nos leva a conhecer os intrincados fios, das origens, dos porquês. Conhecer os motivos e as razões nem sempre gera condições de compreensão imediata mas pode significar uma lanterna no breu. Vitimizar-se inibe o aprendizado e a compreensão pois oferece uma conotação triste e impotente à situação. É necessário ser e sentir-se “Ação” e não “Reação”; saber que podes agir e não sentir-se vítima como se fossemos algo inerte e submetido a algo ou a alguém.
A partir dai, pode-se começar por questionamentos simples e que devem ser feitos para o seu próprio eu.
Partindo de um exemplo simples podemos contextualizar estas perguntas:


“Suponha que em uma reunião no trabalho, um indivíduo, sempre exite ou sinta desconforto em expor sua opinião para o chefe sobre o tema discutido. Mesmo sabendo que tens a provável solução, sempre que no impeto de falar, prefere se calar diante dos superiores. Sente-se desconfortável e com medo.”


Situações como estas, ou qualquer outra que possa produzir medo, desconforto, pressão no peio e angustia podem ser eliminadas se compreendidas. Comece então a se perguntar:

-Por que me sinto mal quando diante dessa situação?
-Qual é a origem desta sensação ruim que me causa tamanho desconforto?

Estes questionamentos devem ser constantes. E sempre que possível, se faz necessário colocar-se em reflexão para visualizar a situação e novamente sentir a mesma sensação de desconforto, para mais uma vez refazer as perguntas. Isto irá desencadear uma ordem direta ao subconsciente que irá atuar sobre a solicitação: “Encontrar a razão pela qual estou traçando estas conexões cerebrais e produzindo este desconforto”.
Seguindo o raciocínio do exemplo citado, o indivíduo pode ser remetido à uma lembrança de sua infância onde os pais (os chefes da casa) sempre o repreendiam quando este sentia vontade de participar ou atuar sobre algum problema em questão. Como medida de proteção, o subconsciente criou um bloqueio para evitar que a vítima sofra novas repreensões e o resultado é a dificuldade de falar diante dos superiores.
A resposta virá quando menos se esperar. O subconsciente fará uma pesquisa minuciosa e construirá um relatório com imagens, sons e sensações para lhe explicar o motivo pelo qual criou este ou aquele bloqueio. Diante da visualização deste relatório, pode-se chegar à conclusão de que esta programação não é mais necessária e que outras conexões podem e devem ser feitas pois não há mais a necessidade de proteger-te dessa situação. Compreenda que ele (o subconsciente) quer e precisa proteger-te sempre.
Tudo o que viveste, desde o momento da fecundação, está gravado na sua memória. O subconsciente é o administrador e possui acesso a toda essa documentação. Se souber pedir, ele será capaz de montar relatórios precisos e com a mais surpreendente qualidade de imagens, sons e sensações. O subconsciente não dá prazo para a entrega do relatório, mas ele começa a trabalhar a partir do momento em que conseguimos compilar a solicitação. Devemos repetir e realizar o exercício das perguntas várias vezes, em vários momentos e com diferentes formulações para as mesmas perguntas, pois não temos como saber quando e se a compilação foi realmente feita com a construção realizada. Temos pois, a certeza de que em algum momento ele receberá nossa solicitação e trabalhará arduamente e de forma ininterrupta até obter a resposta. Este é o ponto de partida para o autoconhecimento.