terça-feira, 23 de abril de 2013

Insatisfação


(ainda em construção)
Quase sempre que vejo um casal de amigos, –  jovens namorados ou mesmo casados –  me pego fitando a face da moça em busca de alguns sinais. Um olhar pode oferecer mais informações do que uma conversa. Tenho me exercitado bastante nisso e confesso que tenho obtido considerável sucesso nesta atividade.
O fato é que tenho observado uma característica muito marcante na maioria delas. Um semblante do qual não conseguia definir. E nestes últimos dias, conversando de forma mais íntima com uma delas obtive a resposta. O olhar se resume a uma palavra: insatisfação.

É como se, embora ela tivesse conseguido um relacionamento, este não fosse exatamente o que esperava. O Homem não é adequado. Faltam alguns detalhes que fazem muita diferença no comportamento dele. Algumas arestas a serem aparadas sem as quais, ele não pode ser considerado  “homem” por vias de fato!

Indo mais além nesta busca, começo a descobrir os detalhes. As peças vão se encaixando e vou dando forma ao mosaico desta curiosa frustração. Percebo que ela sente falta de mais devoção, mais doação e menos individualização. O namorado tem dinheiro para comprar jogos de videogame, sair com os amigos para farrear, fazer melhorias no veículo, jogar futebol... entre outras coisas mais. Conquanto, ele nega recursos para compartilhar momentos e afins com a mulher. Seus limitados recursos são canalizados para atender a necessidades supérfluas de consumo e lazer totalmente individuais. Sendo assim, ele nunca terá dinheiro para um jantar especial com a companheira num bom restaurante. Uma viagem para curtir um fim de semana agradável num lugar diferente está, igualmente, fora de questão! Ao que parece, o real interesse dele é pura e simplesmente sexual.

Nestes casos, a individualidade extremada beira ao egoísmo. Aparentemente ele não está muito focado em compartilhar momentos agradáveis que renovam os votos da proposta de relacionamento. A relação vai ficando desgastada e os desentendimentos vão se tornando cada vez menos espaçados.
A balança começa a pesar mais para o lado das brigas. Esta ultima, produto da disputa de egos, é iniciada geralmente pela mulher. Afinal  ela é a figura que geralmente se submete aos caprichos do marido. Essa doação, por parte da mulher, consome e degrada seu intimo. Se lhe falta amor próprio, se tem medo de ficar sozinha; segue insatisfeita uma vida inteira...