(ainda em construção)
Quase
sempre que vejo um casal de amigos, – jovens namorados ou
mesmo casados – me pego fitando a face da moça em busca de
alguns sinais. Um olhar pode oferecer mais informações do que uma
conversa. Tenho me exercitado bastante nisso e confesso que tenho
obtido considerável sucesso nesta atividade.
O
fato é que tenho observado uma característica muito marcante na
maioria delas. Um semblante do qual não conseguia definir. E nestes
últimos dias, conversando de forma mais íntima com uma delas obtive
a resposta. O olhar se resume a uma palavra: insatisfação.
É
como se, embora ela tivesse conseguido um relacionamento, este não
fosse exatamente o que esperava. O Homem não é adequado. Faltam
alguns detalhes que fazem muita diferença no comportamento dele.
Algumas arestas a serem aparadas sem as quais, ele não pode ser
considerado “homem” por vias de fato!
Indo
mais além nesta busca, começo a descobrir os detalhes. As peças
vão se encaixando e vou dando forma ao mosaico desta curiosa
frustração. Percebo que ela sente falta de mais devoção, mais
doação e menos individualização. O namorado tem dinheiro para
comprar jogos de videogame, sair com os amigos para farrear, fazer
melhorias no veículo, jogar futebol... entre outras coisas mais.
Conquanto, ele nega recursos para compartilhar momentos e afins com a
mulher. Seus limitados recursos são canalizados para atender a
necessidades supérfluas de consumo e lazer totalmente individuais.
Sendo assim, ele nunca terá dinheiro para um jantar especial com a
companheira num bom restaurante. Uma viagem para curtir um fim de
semana agradável num lugar diferente está, igualmente, fora de
questão! Ao que parece, o real interesse dele é pura e simplesmente
sexual.
Nestes
casos, a individualidade extremada beira ao egoísmo. Aparentemente
ele não está muito focado em compartilhar momentos agradáveis que
renovam os votos da proposta de relacionamento. A relação vai
ficando desgastada e os desentendimentos vão se tornando cada vez
menos espaçados.
A
balança começa a pesar mais para o lado das brigas. Esta ultima,
produto da disputa de egos, é iniciada geralmente pela mulher.
Afinal ela é a figura que geralmente se submete aos caprichos
do marido. Essa doação, por parte da mulher, consome e degrada seu
intimo. Se lhe falta amor próprio, se tem medo de ficar sozinha;
segue insatisfeita uma vida inteira...