sábado, 10 de novembro de 2012

Dependência e Felicidade

Nós, seres humanos, somos sistemas individuais e únicos. Temos por tanto que ser relativamente "autossuficientes" nos aspectos sociais, químicos e materiais. Logo, não se pode nunca limitar ou determinar sua vida em função da vida de outra pessoa ou de coisa alguma. Muitas pessoas se julgam felizes por terem um relacionamento feliz ou em função da posse de um bem material (carro, casa, etc.) e se consomem na depressão quando este lhe falta. Temos que entender que existem dois moldes conceituais de formulação para este caso, sendo:

1.       “Sou feliz porque tenho um(a) [relacionamento,casa, posição social, etc.]”
2.       “Sou feliz e tenho um(a) [relacionamento,casa, posição social, etc.]”

Observe que o molde conceitual número 1 não é desejado, afinal, não podemos associar nossa felicidade à posse ou à presença de algo ou alguém. A verdadeira felicidade não está no êxtase, mas sim na plena consciência de estar vivo e se considerar um ser maravilhoso. Bertrand Russell, afirmou que são felizes as pessoas que passam a maior parte de seu tempo sentindo-se bem pelo simples fato de estarem vivas.


Se sua vida é "dependente", então há algo indesejado nas suas conexões cerebrais. Temos que ser felizes e estar bem em nosso intimo apenas pelo fato de estarmos vivos, livres e em contato com o meio. Podemos então concluir que, qualquer dependência é ruim. Estas dependências podem ser:

Química        (drogas alucinógenas, guloseimas ou alimentos dispensáveis);
Social            (dependência de ter namorado(a), amigo, mãe, pai, posição social);
Material       (dependência da posse de bens materiais como aparelhos, bens e serviços);
Intelectual    (prisão ideológica, Fanatismo religioso, ideias prontas);

Conceitualmente, uma pessoa que está em depressão pela perda dos pais, do namorado(a) ou mesmo de um carro ou posição social, é um viciado. E pode ser Igual ou pior do que um usuário de craque ou cocaína. É necessário entender que tudo e qualquer coisa pode causar algum tipo de alucinação ou ilusão de bem estar e, por tanto, pode ser classificado como sendo “uma droga”. O usuário de craque se sente bem mediante a administração da psicotrópico, assim como o ser apaixonado se sente bem mediante a presença do ser amado (ou relacionamento).

As drogas, de maneira geral,  estimulam o organismo a produzir neurotransmissores que causam sensação de bem estar e tranquilidade enquanto a vítima está sob seu efeito. Logo, o conceito de “droga” é muito amplo e ao mesmo tempo individual, pois um prato de guloseimas pode, por exemplo, ser a perdição para alguns, enquanto que para outros não significar nada. Um papelote de cocaína pode atrair a atenção de um dependente químico, mas nunca a terá de um consumista compulsivo ou mesmo de um carente afetivo, pois estes tem seu foco e dependências associados a outros fatores. Se “a droga” for a dependência da presença dos amigos ou de um relacionamento, então esta deve ser compreendida e eliminada. Afinal, esta sensação não é real e não é benéfico pois determina a felicidade e liberdade à dependência de fatores externos. Não se pode ser feliz em função de ter algo ou alguém, mas podemos agregar coisas ou pessoas que podem tornar nossas vidas mais interessantes, somando conhecimento e experiências.

Um outro perfil comum é o indivíduo que tem uma auto-imagem ruim e se entrega a um desejo com a finalidade de se ter alguns breves minutos de prazer. Na verdade, o faz para esquecer, para escapar da sua triste e melancólica realidade. Enfia-se a cabeça num buraco na frustrada tentativa de esquecer que é feio, desagradável e ignorante. De fato, se este personagem estabeleceu esta ideia sobre si, então é o que ele é! Estas formas de escape podem ser sublimadas por um ajuste no mecanismo que promove a auto-estima da pessoa. Mas isto é algo que somente o próprio indivíduo pode fazer buscando o autoconhecimento. Adentrando no subconsciente e investigando seus motivos irracionais que o levam a pensar mau a respeito de si mesmo.

O nosso subconsciente, está, muitas vezes programado para provocar sensações ruins diante de situações cotidianas normais. todavia podemos extinguir estas situações condicionadas e eliminar tais dependências aplicando-se a razão. Quando se verificar sentindo-se mal por coisa torpe, assuma a consciência e busque as razões da sensação. Convença-se de que não há razão lógica para sentir-se mal pela falta de alguém ou de algo. Encare de frente o irracional e diga a si mesmo que sua vida não depende "dessas drogas". Busque explicações e razões plausíveis para todos os seus sentimentos. Aos que não lhe couber uma resposta racional, aplique-lhes uma razão consciente e forte. Repita isto sempre que o sentimento indesejado aparecer até que cesse. O escritor Maltz confirma esta premissa:


"Aplicar a razão é um pensamento-chave que devemos ter diante destes estímulos perturbadores no processo de extirpar um condicionamento." (Maltz, 1981, p. 151)
Na concepção de Russell, aplicar a razão também é uma das melhores soluções:
"Quando começar a sentir remorso por ato que sua razão lhe garante não ser mau, examine as causas desta sensação e convença-se de que é um absurdo." (Russell, 1930, p. 88)

Seguindo pelo molde conceitual número 2, pode-se dizer que, se tens esta compreensão terás uma vida plena e totalmente liberta. Sente-se livre e feliz consigo mesmo pois sua felicidade não está atrelada a outras coisas. O ser amado lhe soma, mas nunca lhe falta. Por quanto, se não possui qualquer dependência química, social ou material, considere-se uma pessoa liberta e feliz.

O estudo da mente e as impressões do subconsciente podem, no entanto, revelar muitos fatores que resultam em comportamentos indesejados, tais quais os citados neste artigo. Haja visto que, não existe certo e errado, mas sim o que queremos e o que não queremos. O estudo da mente pode fazer com que estes moldes conceituais sejam compreendidos através da razão, causando leveza e sensação de liberdade e plenitude no depressivo. Breve, trataremos do estudo do autoconhecimento, que pode tornar esses conceitos uma realidade em nossas vidas.