O fato é que quanto
menos se conhece, mais medo conferimos e nos sentimos frágeis diante
de certas situações, preferindo a fuga. Haja visto que o medo
concentra grande quantidade de energia, tal qual a coragem, temos por
tanto, tendencia em atrair e materializar mais situações similares
à aquelas das quais tememos e queremos evitar. A sombra está lá,
queiramos ou não lidar com ela. Num primeiro momento pode ter havido
situações em que essa investida tenha deixado mais prejuízos do
que realmente tenha ajudado; ou ainda que tenham sido abertas
precocemente ou inoportunamente. Mas chega um determinado momento
dessa exploração em que o indivíduo parece despertar. Com as
portas abertas, o subconsciente consegue iluminar os pontos de sombra
e visualizar novas conexões cerebrais, novas rotas são criadas e
percebe-se que existe um caminho novo e mais fácil; que não gera
desconforto.
A obscuridade conduz para
reações repetitivas, nos faz refém delas e leva à autodestruição.
A clareza nos leva a conhecer os intrincados fios, das origens, dos
porquês. Conhecer os motivos e as razões nem sempre gera condições
de compreensão imediata mas pode significar uma lanterna no breu.
Vitimizar-se inibe o aprendizado e a compreensão pois oferece uma
conotação triste e impotente à situação. É necessário ser e
sentir-se “Ação” e não “Reação”; saber que podes agir e
não sentir-se vítima como se fossemos algo inerte e submetido a
algo ou a alguém.
A
partir dai, pode-se começar por questionamentos simples e que devem
ser feitos para o seu próprio eu.
Partindo
de um exemplo simples podemos contextualizar estas perguntas:
“Suponha que em uma
reunião no trabalho, um indivíduo, sempre exite ou sinta desconforto
em expor sua opinião para o chefe sobre o tema discutido. Mesmo
sabendo que tens a provável solução, sempre que no impeto de
falar, prefere se calar diante dos superiores. Sente-se
desconfortável e com medo.”
Situações
como estas, ou qualquer outra que possa produzir medo, desconforto,
pressão no peio e angustia podem ser eliminadas se compreendidas.
Comece então a se perguntar:
-Por que me sinto mal
quando diante dessa situação?
-Qual é a origem desta
sensação ruim que me causa tamanho desconforto?
Estes questionamentos
devem ser constantes. E sempre que possível, se faz necessário
colocar-se em reflexão para visualizar a situação e novamente
sentir a mesma sensação de desconforto, para mais uma vez refazer
as perguntas. Isto irá desencadear uma ordem direta ao subconsciente
que irá atuar sobre a solicitação: “Encontrar a razão pela qual
estou traçando estas conexões cerebrais e produzindo este
desconforto”.
Seguindo o raciocínio do
exemplo citado, o indivíduo pode ser remetido à uma lembrança de
sua infância onde os pais (os chefes da casa) sempre o repreendiam
quando este sentia vontade de participar ou atuar sobre algum
problema em questão. Como medida de proteção, o subconsciente
criou um bloqueio para evitar que a vítima sofra novas repreensões
e o resultado é a dificuldade de falar diante dos superiores.
A resposta virá quando
menos se esperar. O subconsciente fará uma pesquisa minuciosa e
construirá um relatório com imagens, sons e sensações para lhe
explicar o motivo pelo qual criou este ou aquele bloqueio. Diante da
visualização deste relatório, pode-se chegar à conclusão de que
esta programação não é mais necessária e que outras conexões
podem e devem ser feitas pois não há mais a necessidade de
proteger-te dessa situação. Compreenda que ele (o subconsciente)
quer e precisa proteger-te sempre.
Tudo o que viveste, desde
o momento da fecundação, está gravado na sua memória. O
subconsciente é o administrador e possui acesso a toda essa
documentação. Se souber pedir, ele será capaz de montar relatórios
precisos e com a mais surpreendente qualidade de imagens, sons e
sensações. O subconsciente não dá prazo para a entrega do
relatório, mas ele começa a trabalhar a partir do momento em que
conseguimos compilar a solicitação. Devemos repetir e realizar o
exercício das perguntas várias vezes, em vários momentos e com
diferentes formulações para as mesmas perguntas, pois não temos
como saber quando e se a compilação foi realmente feita com a
construção realizada. Temos pois, a certeza de que em algum momento
ele receberá nossa solicitação e trabalhará arduamente e de forma
ininterrupta até obter a resposta. Este é o ponto de partida para o
autoconhecimento.
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