quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Será que você é mesmo cristão?

Pergunte-se a sim mesmo conforme sugere o título deste artigo. Caso a afirmativa seja sim, provavelmente tu podes se considerar um ignorante incauto sobre os evangelhos. Uma das primas para se considerar cristão está no fato de crer em Deus e na vida após a morte. Mas não é só isso, afinal, esta é uma prerrogativa de quase todas as religiões do oriente. Além de colocar a filosofia de Cristo em prática é preciso crer nele e tentar imitá-lo, ou pelo menos aproximar-se disso.

Conforme o próprio evangelho sugere, “Se queres me seguir, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobres...”, mas ao que parece, os cristãos estão mais adeptos do acúmulo do que do desprendimento. Na prática, isto se deve em função da ausência total de fé. O medo em relação ao futuro move a sociedade a acumular cada vez mais para garantir o amanhã. Se fossem dotados de fé inabalável, se realmente pudessem crer em Jesus, teriam a certeza de que “Deus proverá”. Teríamos então, legiões de andarilhos nômades que viveriam a perambular pelo mundo, possuindo apenas o necessário e focados apenas em pregar “a boa nova”

Também nas questões diárias de nossa “sociedade cristã” não averiguamos uma postura focada nos ensinamentos propostos: “Não resistais ao mau, mas, se alguém te ferir em tua face direita, apresenta-lhe também a outra”. Acho que esta ultima dispensa comentários a cerca, exceto pelo fato de que Buda já havia dito isto 500 anos antes. O fato é que este é outro princípio que os cristãos aceitam muito bem dentro da igreja ou durante os cultos, e ali fica. Acho que na prática o “olho por olho” é que ainda vigora.

Outro aspecto muito cotidiano que deveria ser praticado por todos é “Não julgueis, para que não sejais julgados”. As leis de nosso “país cristão” não refletem tal ensinamento nem de longe. Nossos tribunais estão repletos de julgos, condenações e sentenças. Na verdade, sobre esta ultima eu penso que se cada um cuidasse de sua própria vida, não haveria tempo de observar a vida alheia e, por tanto, não haveria como julgar. Neste mesmo contexto eu poderia falar sobre o perdão...enfim.

Por conta destas, me sinto muito à vontade e livre para ser feliz pelo simples fato de não me considerar um cristão. Posso, por tanto, me sentir bem por ter um bom carro, uma boa casa, belas roupas e gozar de toda a sorte de conforto e conhecimento que o dinheiro possa me proporcionar através de livros e viagens. Não existe um julgamento final, mas se existir, nunca poderei condenado por nenhuma destas máximas de Jesus, pois eu mesmo não as pregava e tão pouco lhe atribuía valor. Nem mesmo saía pelas ruas alardeando seus ensinos sem que eu mesmo os fosse capaz de cumprir. Nunca fui moralista de coisa alguma e nem hipócrita. Conforme disse Carlota Joaquina: “Eu serei mais feliz e livre no meu desterro do que vós [que passou a vida nesta prisão dogmática do cristianismo onde tudo é pecado e nada é permitido]”.